Lagoa no Parque dos Lençóis Maranhenses

3 dias nos Lençóis Maranhenses

Como foi passar 3 dias nos Parque nacional dos Lençóis Maranhenses? Um pouquinho da minha experiência nesse lugar cada vez mais turístico, mas que preserva uma beleza de centenas de dunas e lagoas multicoloridas.

A viagem para os Lençóis Maranhenses foi minha primeira viagem planejada e executada inteiramente sozinha. Um friozinho na barriga e uma sensação tão gostosa! É muito bom parar para escrever e relembrar um pouco desse lugar.

Inicialmente, tinha planejado fazer a travessia no Parque Nacional (ver o guia completo aqui). Só que o fato de estar sozinha, além de encarecer muito o rolê, também me deixou receosa. Eu teria que ficar horas caminhando sozinha com um guia homem. Por mais recomendações que tivesse, os percalços da vida e os medos por ser mulher, dessa vez, falaram mais alto. Acabei trocando os planos, mas é impressionante como “deixar fluir” é a receita certa durante as viagens.

Roteiro pelos Lençóis Maranhenses

  • Dia 1: Barreirinhas
  • Dia 2: Barreirinhas – Canto de Atins
  • Dia 3: Canto de Atins – Atins – Barreirinhas

Como foi minha experiência pelos Lençóis Maranhenses

-Primeiro dia

Eu, particularmente, passei 1 dia e 1 noite em Barreirinhas, pernoitando em um dos melhores hostels que já fiquei. A cidade tem uma estrutura  bem grande, nada do que eu esperava encontrar. A galera foi me falando que esse crescimento desordenado aumentou muito a especulação imobiliária e o avanço sobre as terras demarcadas pelo Parque, o que é objeto de embate e fiscalização direta pelo ICMBio.

O Hostel do Professor (R$35/ diária em quarto coletivo) é simples, mas extremamente limpo e, acima de tudo, muito acolhedor. Pra vocês terem noção: apesar do pouco tempo, conheci pessoas incríveis com as quais mantenho contato até hoje (algumas já até reencontrei – alô, Maura e Belle). Nesse dia, também fui conhecer a Lagoa Bonita, mas achei o tour muito comercial com aquela pegada de “tirem uma foto e vamos pra próxima parada”. Talvez para quem tenha pouco tempo, valha a pena, mas preferia ter curtido o lugar e cada lagoa com mais calma. No final, a Lagoa Bonita nem era tão bonita assim e aquelas que passamos no caminho eram bem mais atraentes. 

Tem muito mercadinho barato na cidade pra comprar aquela gelada no final de tarde e algumas coisas para cozinhar no hostel. Quem tiver tempo também pode ir tomar um banho no rio Preguiça, que atravessa a cidade. 

-Segundo dia

Segui no dia seguinte cedinho para Canto de Atins no “pau de arara” (R$10) que só os locais costumam  usar. Demorei quase duas horas até o destino final, passando por terrinhas pequenas, casas simples em um cenário árido e repleto de cajus. Confesso que fiquei um pouco mais aliviada de ter a companhia da Belle, uma menina holandesa que conheci no hostel, pois os homens faziam uns comentários desagradáveis.

Dormi 1 noite no redário do Seu Antonio (R$20/diária com a rede). A refeição de peixe é super bem servida (R$40 para 2 pessoas) e sobrou até pra janta. Lá também tem a casa da Dona Luiza, com redário, mas mais famosa por causa do seu prato de camarão. Aproveitamos que estávamos já dentro do Parque e caminhamos até uma duna bem alta para assistir o sol se pondo no meio daquela imensidão de areia com direito a mergulho em uma das lagoas só pra gente. É um daqueles momentos que você se sente um pontinho no meio de universo e esquece de todos os afazeres e problemas.

Sem dúvidas, lá também passei uma das noites mais estreladas da minha vida, com um buraquinho no teto de palha que me fazia avistar, no balanço na rede, aquele céu estrelado bem na linha do equador. Isso sem falar com troca e a conversa com a família de Seu Antonio, que vivem dentro do Parque Nacional antes dele ser classificado assim. Eles pescam no mar e tem o turismo como fonte de renda! Ah, muitos membros da família fazem a travessia até Santo Amaro. 

-Terceiro dia

No último dia segui caminhando até Atins por 6km. Uma caminhada em linha reta pela areia, mas tranquila no geral. Ainda pegamos uma carona de quadriciclo no final. Chegamos direto na praia de Atins! Ô que delícia foi tomar banho refrescante de mar e, mais tarde, dar um pulo no rio Preguiças que, ali em Atins, encontra com o mar. 

Atins preserva muito mais essa pegada “roots” e desconectada do mundo, com suas ruas de areia e sem tanta movimentação como Barreirinhas. Lá é ideal para quem quer mais sossego. Confesso que não procurei muito, mas sei que tem opções de hospedagem de camping, hostel e pousadas “mais arrumadinhas”. 

“Devo ir para os Lençóis Maranhenses?”

Só se for pra ontem! Eu fiquei com muita vontade de voltar e ir para Santo Amaro e até fazer a travessia pelo Parque. As lembranças de lá têm cheiro, têm cor, têm sentimento e têm gosto de caju e murici – uma frutinha pequetita, amarelinha e bem docinha que provei nas andanças pelas dunas.

Ah, sabe uma coisa que muita gente não faz ideia – eu inclusive? As lagoas no meio das dunas são de água doce! Agora imaginem: uma caminhada difícil na areia, com sol no topo da cabeça e, de repente, tchibum – água doce pra refrescar a alma.

Se alguém já tiver ido ou estiver com vontade de ir, compartilhe aqui comigo nos comentários, vou adorar saber!

Lagoa no Parque dos Lençóis Maranhenses
Lagoa no Parque dos Lençóis Maranhenses

 

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