Alter do Chão

Pará: o que você precisa saber antes de ir pra lá

“Quem foi ao Pará, parou. Tomou açaí, ficou”. Esse ditado resumiu os 23 dias da minha passagem pelo norte do Brasil nessa terrinha maravilhosa.

Pará: meio do rio Amazonas
No meio do rio Amazonas

Pará

O Pará é um estado enorme. Pra vocês terem noção, só a Ilha de Marajó, um pedacinho bem pequeno de lá, tem o tamanho do estado do Rio de Janeiro. Então já viu, né? Fora isso, grande parte dessa terrinha incrível é praticamente inacessível para viajantes por ser área florestal ou de reserva ambiental/indígena. 

Também temos que lembrar dos problemas relacionados à luta de territórios que acontecem na região: desmatamento, desrespeito aos povos tradicionais e conflito com grandes latifundiários são apenas uma palinha do que eles enfrentam por lá. Eu não sou nenhuma especialista no assunto, mas por ter visto mais de perto a Amazônia e ter me conectado a tantos paraenses incríveis, consegui sentir um pouco mais aquilo que eu só escutava falar.

Eu não cheguei a viver essa luta durante a viagem, mas a proximidade com certeza abriu um pouco mais meus olhos (e meu coração) para todas essas questões. São problemas muito diferentes daqueles vividos nas grandes metrópoles, mas interligados de alguma forma.

Roteiro

  • Belém
  • Algodoal
  • Santarém/Alter do Chão
  • Ilha de Marajó

 

Transportes 

Avião

Se em lugares muito turísticos o transporte pelo Brasil já não é fácil, imaginem quando foge um pouquinho dessa rota? Pois é, mas tem algumas dicas que podem te ajudar a fazer os deslocamentos de uma maneira mais inteligente. Se liga só:

Eu diria que Belém é um bom ponto de partida para quem quiser fazer esse roteiro (ou Manaus), com dois grandes aeroportos nessas cidades. Por isso mesmo acaba sendo mais fácil encontrar boas promoções pelas grandes companhias aéreas. E aí dali também dá pra achar bons preços pra fazer os trechos internos. De Belém para Santarém, por exemplo, que é a melhor cidade-base para quem quer ir até Alter do Chão, eu paguei R$220 na passagem (GOL) com alguma antecedência. 

Então acho que vale a pena fazer uma simulação pra comparar:
Opção 1) Rio de Janeiro (exemplo) – Santarém, com escala.
Opção 2) Rio -> Belém ou Manaus -> Santarém.

Tem gente que acha que escala sempre sai mais barato, mas não necessariamente. Dica pra vida, inclusive!

Ônibus

Já para os deslocamentos relativamente próximos a Belém ou para as capitais vizinhas, como São Luiz e Fortaleza, podem ser feitos tranquilamente de ônibus. Basta ter paciência para rodar os muitos km de estrada e para as mil paradas feitas no caminho. Pelo menos, costumam entrar vários vendedores com biscoitinhos e bebidas geladinhas pra passar o tempo mais rápido.

Dizem que a Rodovia Brasília-Belém também tem ótimas condições, mas fica o aviso que o deslocamento entre as duas capitais leva 48h!

O mesmo não dá pra falar da TransAmazônica (BR 230), que vara estado do Pará adentro e chega até o Amazonas. Foi uma daquelas obras milionárias e muito mal executadas durante o período da Ditadura Militar, sabe? Sério, evitem pegá-la. Uns amigos nossos ficaram 10 horas totalmente parados por causa de um ônibus atolado. E isso é bem mais comum do que pode parecer!

Barcos

Diria que o transporte por barco é um dos principais da região. Por ter grandes bacias hidrográficas, com rios que cortam grande parte do estado, os barcos de linha são um meio de locomoção bem comum. Pretendo escrever um post separado só para contar minha experiência de 2 dias em um barco, mas já adianto que foi bem intenso. Eu estava ali de passagem, mas é muito louco imaginar que milhares de pessoas ficam dias no barco até chegar aos seus destinos. 

Redes no barco de linha
Redes no barco de linha

Viajando sozinha 

É aquela velha história: temos que estar sempre com os olhos atentos. O Norte do Brasil tem, sim, aquele machismo enraizado e bem “bruto”. O índice de estupro é alto, principalmente em cidades do interior. A lenda do boto, inclusive, é uma forma de justificar os estupros que acontecem nesses lugares menores. Segundo a lenda, o boto se transforma em homem durante a noite, sempre vestido de branco e usando um chapéu, seduz as mulheres, as engravida e depois some para sempre. Assim, em lugares que as mulheres sofrem abusos ou são mães solteiras, costumam dizer que “o filho é do boto”. 

Pelos lugares que passei (mais turísticos) não tive grandes problemas. Mesmo assim, vale ter as precauções de praxe, ouvir sua intuição e respeitar os seus limites.

 

Algodoal
Porto de Algodoal

Quando ir 

As estações de inverno e verão no Pará são invertidas. Mentira, na verdade é que eles chamam de inverno a estação chuvosa (Dezembro-Abril) e verão a estação com menos chuvas (Maio-Novembro).

Eu fui em Dezembro-Janeiro de 2017/2018 e, apesar de chover quase todo dia, o sol também dava as caras logo depois do temporal. Não foi um impeditivo para nada! Mas dizem que Fevereiro e Março já são meses bem mais chatinhos para viajar por lá, porque a chuva não dá trégua.

A partir de Maio já começa o solzão com um calor pior que Janeiro, mas também é a época que os rios estão cheios. Para quem quer conhecer outra paisagem amazônica, dizem que o período de cheia é lindimais. Os rios começam a secar a partir de Julho, sendo que Setembro-Outubro costumam ser o auge das águas baixas. 

Por que eu amei o Pará?

Poderia fazer uma lista quase interminável de motivos, mas com certeza o que eu mais me apaixonei foram pelas pessoas. Sério, essa viagem não teria sido 1/3 do que ela foi se eu não tivesse cruzado com tanta gente incrível. Os lugares que visitei foram, basicamente, recomendações. As comidas que experimentei também. Mas os momentos que vivi tiveram um tempero especial por causa das boas companhias e das risadas compartilhadas.

 

Os paraenses, especialmente, são muito receptivos. É essa a palavra. Eles te acolhem de braços abertos pra você conhecer essa terrinha e querer sempre voltar. Se vocês olharem com meio sorriso no rosto pra pessoa do lado, ela já vai querer virar sua amiga. Sério, se permitam ir e se apaixonar por esse lugar. 

E não deixem de me contar aqui nos comentários como foi! Se tiverem dúvidas específicas de lá, podem mandar também que respondo rapidinho.

1 comment
  1. Olha nosso amigo Matheus ai <3

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