Reserva Ecológica da Juatinga: desbravando a região

A Reserva Ecológica da Juatinga, que fica próxima à Paraty, esconde praias e cachoeiras lindas, muitas ainda não tão exploradas pelos viajantes. Vem conhecer mais dessa região maravilhosa! 

Para ler mais sobre o roteiro da Travessia da Juatinga e como chegar, veja este post

Saco do Mamanguá

O Saco do Mamanguá é um lindo “braço” de água que adentra no continente e fica na área da Reserva Ecológica da Juatinga. As águas por lá são rasas e muuuito mansinhas. Lá estávamos, dia 28 de dezembro, pegando um barco por R$150 (o que foi bem barato já que dividimos entre 11 o preço) a caminho da Praia do Cruzeiro (uma das várias opções do Saco).

O barquinho nos deixou no cais no extremo direito da praia. Por sorte, conhecemos a casa do Seu Preá que tinha aberto uma área de camping. Além de ser menos badalado (e também menos lotado) que o camping do Seu Orlando (mais conhecido da praia), foi mais barato. Ele cobrou R$20 a diária, arranjou um fogão a gás para que cozinhássemos, mantinha uma boa limpeza no banheiro e, de quebra, tinha muitas historias interessantes para contar sobre o povo caiçara da Juatinga.

O que fazer no Saco do Mamanguá?

  • Aproveitar a praia do Cruzeiro, rasa e calminha.
  • Ir até a cachoeira. 2 horas de caminhada da praia, porém, sem grandes elevações.
  • Pico do Pão de Açúcar. Fica a 1 hora e meia (no ritmo dos mais despreparados fisicamente, como eu). São 1,4 km de subida intensa (e põe intensa nisso!), mas com uma vista que recompensa qualquer cansaço.
  • Dormir mais um pouquinho para esperar a noite e ver um céu muito estrelado (uma pena não conseguir registrar isso com a minha máquina).

 

Dia 29 foi dia dos desbravamentos pela região. Teve uma parte do grupo, muito animada e com pique, que topou fazer as 2 trilhas no mesmo dia. Eu preferi aproveitar a praia e me resguardar para ver o pôr do sol no pico. Começamos a subir as 17h e voltamos por volta das 19:20 para não pegar a trilha escura (também levamos lanternas para qualquer emergência). Nesse horário o sol estava mais ameno e não tinha quase ninguém no pico.

 

Praia de Itaoca

Na ida para o Saco, já combinamos com o Joel (barqueiro) que ele nos buscaria dia 30, cedo. Nossa próxima parada – para o Réveillon- foi a Praia de Itaoca. Há quem prefira fazer esse trecho por trilha (7,1 km – nível pesado), mas o peso nos impedia (ou talvez fosse a nossa desculpa).

Achei que já tinha me surpreendido muito com o Saco, mas descobri que tudo pode ser ainda melhor. Itaoca é uma pequena praia entre a Praia de Calhaus e Praia Grande de Cajaíba, na enseada do Pouso de Cajaíba. Um mar sem ondas, esverdeado, tipico da Costa Verde. O camping da Dona Branca é na areia com vista privilegiada para a praia e custa R$20 a diária.

O que fazer em Itaoca?

  • Ficar morgando na praia (sim, excelente opção).
  • Ir até a cachoeira de praia Grande (20 minutos de trilha até Praia Grande + 20 minutos até a cachoeira).
  • Conhecer as outras praias da região.
  • Dormir mais um pouquinho para esperar a noite e ver um céu muito estrelado (uma pena não conseguir registrar isso com a minha máquina).

Apesar da tranquilidade de Itaoca, passamos a virada do ano em Praia Grande da Juatinga. Lá tem com um pouco mais de agito, música instrumental e fogueira com direito à roda. Digo mais: essa é uma excelente opção! Se hospedar em Itaoca e passar só a virada (ou o dia, se não for Reveillón) em Praia Grande. O camping de lá é mais afastado da praia e mais caro, perdendo um pouco daquele encanto aconchegante da vista pro mar.

Praia de Itaoca: área da reserva ecológica da Juatinga

Martim de Sá

De Itaoca, pegamos uma lancha até Pouso do Cajaíba (R$ 10 por pessoa) no dia 02 de janeiro. A maioria dos barqueiros não se aventuram até o mar aberto de Martim. Em Pouso conseguimos um pouco de sinal de celular, após vários dias sem – detox total de Whatsapp, Facebook e Instagram. De lá conseguimos outro barqueiro que cobrou R$40 por pessoa e nos deixou em Martim.

Dessa vez, preferi não fazer a trilha e o grupo também optou por ir no conforto do barco. Infelizmente, o camping estava muuuito mais cheio que da última vez que eu fui (Abril de 2016). Mesmo assim, aquela praia não perde seu encanto. 

Para quem quiser saber mais sobre Martim de Sá, tem esse post separado!

Martim de Sá: poção

Ponta Negra

Dia 04, infelizmente, foi dia do grupo se separar. Alguns já tinham que voltar para o caos da cidade, enquanto eu e mais 4 amigos seguimos para o próximo destino, a Praia de Ponta Negra.

Como de costume, pegamos o barco (lancha, para ser mais específica), que cobrou R$ 60 por pessoa. O preço foi justo já que a distância era grande. Se das outras vezes fazer a trilha até o destino era uma dúvida, dessa vez ela não foi nem cogitada. Com mais de 11 km até Ponta Negra, a trilha considerada de nível pesado, demora quase um dia inteiro para ser feita. Para os trilheiros de plantão, é só seguir de Martim até Cairuçu das Pedras e de lá se informar sobre o trecho que continua até o destino final.

Chegamos em Ponta Negra ainda pela manhã cedo, fechamos o camping do Nenei bem próximo à praia com diária de R$ 20. Já no ritmo, trilhamos para a tão esperada-maravilhosa-escondida cachoeira do Saco Bravo. Nossa lancha passou próxima a ela, pelo mar e criou ainda mais expectativas.

Martim de Sá: vista da praia

O que fazer em Ponta Negra?

  • Cachoeira do Saco Bravo. São 4,2 km de trilha pesada, mas um pouco melhor que a trilha para a praia da Sumaca, em Martim. A ida é um pouco menos cansativa que a volta e a trilha é bem demarcada (a não ser no início que tem muitas bifurcações, ainda no vilarejo de Ponta Negra)
  • Curtir a praia, que é bem estreita e não é uma das mais bonitas da região.
  • Fazer trilha para Antigos e Antiguinhos.

Cachoeira do Saco Bravo na reserva ecológica da Juatinga

Praia do Sono/ Vila do Oratório/ Paraty-Mirim

Depois da nossa última noite, optamos por não fazer a trilha até a Praia do Sono. Me arrependi, porque acabamos não conhecendo Antigos e Antiguinhos. Por outro lado, o cansaço e a vontade de voltar pra nossa caminha depois de 8 dias, falava mais alto.

Passamos a manhã na Praia do Sono, que, apesar de ter um mar limpo, é a praia mais cheia e menos bonita da região. Para quem gosta de mais estrutura, lá é o melhor lugar, já que tem vários quiosques e opções de hospedagem sem ser camping.

Para a Vila do Oratório, parte do grupo fez a trilha e outra parte pegou o barquinho. E quem pensa que a jornada acabou, ledo engano. Ainda tivemos que encarar o busão até Paraty, que só sai de hora em hora da Vila. E lá na rodoviária de Paraty esperamos o outro ônibus para Paraty-Mirim. Outra opção é ficar na BR 101, na entrada de Paraty-Mirim, esperando ele passar. Nesse caso o motorista falou que, pelo horário, íamos ficar muito tempo esperando no meio do nada.

Foi estranho voltar à cidade depois desse tempo sem barulho, que não fosse do mar, dos bichos ou, no máximo, de música. Mais estranho ainda foi observar todo mundo vidrado no celular enquanto o meu estava estragado na mochila. Dizem que acampar, longe de tudo, ajusta seu relógio biológico. Achei verdade já que meu organismo parecia reconhecer o horário de dormir e acordar sem despertador. Até meu olho parecia obedecer as famosas 8 horas de sono por noite e minha fome, inclusive, tinha hora para aparecer.

Gente, é sério, vale a pena tirar um feriado ou alguns dias a mais para fazer a Travessia da Juatinga. Se for só pra conhecer alguma dessas praias, também tá valendo!

Martim de Sá: amanhecer an reserva ecológica da Juatinga

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *