Vício de Viajar: Salar de Uyuni - Bolívia

Como eu me viciei em viajar

Como eu me viciei em viajar? Por que viajar é viciante?  Por que procuro “estar sempre viajando”? São perguntas que, a cada novo lugar descoberto, fazem cada vez mais sentido para mim: a importância de meter meu pé na estrada para manter o meu equilíbrio.

Vício de Viajar: Salar de Uyuni - Bolívia
Vício de Viajar: Salar de Uyuni – Bolívia

Como começou esse vício por viajar?

Comecei a viajar para visitar minha família que vive na Espanha e, depois, a partir com os amigos em excursões que meu colégio organizava – sortes da vida, mais conhecidas como privilégios sociais! Fui tomando esse gosto desde nova. Foram alguns anos após que, juntando meu primeiro salário, finalmente parti pra minha primeira aventura com meu ex-namorado em um mochilão de 38 dias pelo Chile e Peru. 

Dessa vez foi diferente. Não tinham “responsáveis”. Eu era a responsável por mim. Eu e aquele que me acompanhava nessa aventura éramos os únicos a tomar as decisões de cada dia. Mal sabia eu que aquela viagem apertaria o botão on no modo de “vício de viagem” dentro de mim. Foi como sair de uma caixinha. Até janeiro de 2015 eu estava dentro dela e, de repente, um mundo de possibilidades na minha frente. Fascínio pela natureza, por outra cultura, pela culinária saborosa. Foram tantas descobertas de uma só vez que não consegui voltar a ser a mesma.

Na verdade, eu nunca mais consegui voltar a ser. Tinha sede de mundo. Tinha sede de estrada. E ainda tenho. Talvez, ter me jogado pro mundo com apenas 21 anos seja tarde para alguns. Para mim mesmo, acho que me causou ainda mais esse desejo de “recuperar o tempo perdido”. 

Não consigo me imaginar parada. Quero colecionar momentos em diferentes lugares. Hoje, mudei minha percepção sobre viagem: prefiro colecionar menos carimbos e mais momentos e pessoas; menos planos e mais “deixa a vida me levar”. E olha que sou extremamente ansiosa e gosto de planos (alou virginianes!), mas acabei aprendendo a deixar a vida fluir mais enquanto estou na estrada.

Esse não é um modo de viajar melhor ou pior, é só o meu jeito. E ele não foi sempre assim. Nessa primeira viagem que fiz, eu fui com tudo planejadinho, pipoquei em várias cidades diferentes, às vezes, passando só 1 noite. Sei que, quando não temos tempo – a coisa do trabalho de 8h por dia -, isso é necessário, mas, dentro do possível, eu prefiro abdicar de conhecer lugares para viver bem os momentos por onde passo. 

Foto: Manuela Hóllos
Foto: Manuela Hóllos

Preciso abandonar tudo para ir viajar? 

Talvez sim. Talvez não. Isso é muito particular de cada um. Acompanho mulheres incríveis nas redes sociais (@babicady, @mazzopei, @followmeporai) que fizeram/estão fazendo isso. Admiro muito e acho que elas são inspiração não só para quem quer largar tudo e ir, mas também para quem quer viajar mais.

Hoje, eu estou construindo minha carreira, encontrando e procurando meu lugar no mundo, então não pretendo largar tudo para viajar por aí (pelo menos por enquanto). Sacio essa sede nos feriados, nas férias, nos finais de semana. Ok, às vezes não é suficiente, mas são escolhas que precisamos fazer. Pode ser que, em algum momento, isso não faça mais sentido e eu precise ficar alguns meses (ou anos) pelo mundo, mas aí só o tempo dirá. Outras pessoas que são inspiração nesse equilíbrio entre ir e ficar: a Manu do @blogwheninrio e a Cami do @naestradacomasminas.

E viajar sozinha? É viciante? 

Muito. Eu confesso que nunca fiquei muito tempo viajando sozinha. Infelizmente, também foi uma descoberta tardia nesse mundo de possibilidades. Minha primeira vez sozinha foi em Londres, com 22 anos. Eu não tinha planejado ir sozinha, mas, por conta de uns dias a mais entre o voô da Turquia e a volta para o Brasil, tive essa experiência. 

De novo, foi único. Só que foi tão único que se tornou mágico. Poder escolher pra onde ir, o que fazer, a hora que partir. Tudo. É sua inteira responsabilidade. Fiquei com gostinho de quero mais e, nesse tempo, experimentei pequeninas viagens sozinha, mas ainda planejo fazer uma mais longa, o que, com certeza, vai me dar uma nova perspectiva. Também comecei a entender toda a problemática de ser mulher sozinha com a mochila nas costas. Nessas horas, o feminismo tem que estar no bolso, pertinho da gente. Existem certas precauções e preocupações que só outras mulheres vão entender. 

@nanateleva
@nanateleva

 

E vocês? Já têm esse botão do vício por viagem ligado aí dentro? Nunca se esqueçam que viajar faz a gente crescer. Talvez isso acabe nos afastando de quem éramos antes, mas relaxa, é só ter certeza que estamos nos afastando para a direção certa.

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